Quantidade de leitores do nosso Feed

Receba nossas novidades digitando e cadastrando seu e-mail:


1 usuário navegando nesta página. Usuários: , 1 visitante,

Mesmer, magnetismo e Kardec

A confusão entre o magnetismo animal e o mineral

“Por causa do nome, muitas pessoas acham que o Magnetismo Animal é uma terapia que usa imãs para curar. Mas isso não passa de um grande equívoco.

Mesmer compreendia, desde sua tese de Doutorado, que o fluido magnético animal, a eletricidade, o magnetismo mineral e até a luz eram diferentes manifestações do fluido universal. A Doutrina Espírita confirmou essa hipótese. Na questão 427 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec questionou os Espíritos: “De que natureza é o agente que se chama fluido magnético?”, e eles responderam: “Fluido vital, eletricidade animalizada, que são modificações do fluido universal“.

Mesmer fazia uso do fluido ou princípio vital em sua medicina. O imã poderia servir apenas como condutor de seu efeito, como também o vidro, metais e a água. A maioria dos médicos de sua época não conhecia essa teoria. Os poucos que conheciam, não compreendiam. Na fase experimental de sua pesquisa, Mesmer chegou a fazer experiências associando ímãs, magnetos ou eletricidade como condutores do Magnetismo Animal, mas depois abandonou esta prática.

Mesmer teve a idéia de utilizar a água como meio para os efeitos do fluido vital. Essa técnica, preservada pelos magnetizadores do passado, até hoje é utilizada nos centros espíritas (é o que chamamos de água fluidificada).

Mesmer ensinava a diferença entre os dois magnetismos: “O ímã, seja natural, seja artificial, é, assim como os outros corpos, suscetível do Magnetismo Animal, e mesmo da virtude oposta, sem que, nem num nem noutro caso, sua ação sobre o ferro e a agulha sofra alguma alteração; o que prova que o princípio do Magnetismo Animal difere essencialmente daquele do mineral“, explicou em Memórias, de 1779.

Quando Mesmer escreveu sua tese de Doutorado em Medicina, no dia 27 de maio de 1766, ele deu a suas descobertas o nome de Gravitação Animal. “Existe uma influência mútua entre os seres, equivalente à que ocorre entre os astros” – era uma comparação entre o princípio vital e a teoria da gravitação de Newton.

Observando que os efeitos dos ímãs seriam mais adequados para exemplificar as analogias com a vitalidade, Mesmer passou a fazer uso do termo Magnetismo Animal.

Ele escreveu uma carta, em 5 de janeiro de 1775, a um médico estrangeiro, na qual dava uma idéia precisa da sua teoria, dos sucessos que havia obtido e suas perspectivas futuras. O médico a quem a carta se destinava era Johann Christoph Unzer, de Altona, editor do jornal de medicina Neuer Gelehteer Merkurius. Nessa carta, pela primeira vez, a expressão Gravitação Animal, usada em sua tese de doutorado, foi substituída por Magnetismo Animal.

As teses do Magnetismo Animal foram fundamentadas por uma sólida teoria, baseada em fenômenos naturais exaustivamente experimentados por mais de 15 anos antes de serem anunciados. Mesmer, porém, enfrentou muitas dificuldades para explicar aos seus contemporâneos a ciência que descobriu. Ela exigia o conhecimento de conceitos filosóficos e científicos ainda recentes naquela época. Poucos compreendiam a Física de Newton, os livros de Hipócrates, a Fisiologia, a Química e outros temas utilizados por Mesmer em suas teses.”

O texto acima é dica do irmão Hugo Mendonça. Foi ele quem encontrou no bem informado blog Magnetismo, que tem como subtítulo “”Existe uma influência mútua entre os seres, equivalente à que ocorre entre os astros“.

——————————————–

No site Autores Espíritas Clássicos, conhecemos mais sobre Mesmer, cujas teorias teve em Allan Kardec um profundo estudioso:

F. A. Mesmer (1734-1815)

FRANZ ANTON MESMER “foi o médico austríaco criador da teoria do magnetismo animal conhecido pelo nome de mesmerismo.
Nasceu a 23 de maio de 1734 em Iznang, uma pequena vila perto do Lago Constance. Estudou teologia em Ingolstadt e formou-se em medicina na Universidade de Viena. Provido de recursos, dedicou-se a longos estudos científicos, chegando a dominar os conhecimentos de seu tempo, época de acentuado orgulho intelectual e ceticismo. Era um trabalhador incansável, calmo, paciente e ainda um exímio músico.
Em 1775, após muitas experiências, Mesmer reconhece que pode curar mediante a aplicação de suas mãos. Acredita que dela desprende um fluido que alcança o doente; declara: “De todos os corpos da Natureza, é o próprio homem que com maior eficácia atua sobre o homem“. A doença seria apenas uma desarmonia no equilíbrio da criatura, opina ele. Mesmer, que nada cobrava pelos tratamentos, preferia cuidar de distúrbios ligados ao sistema nervoso. Além da imposição das mãos sobre os doentes, para estender o benefício a maior número de pessoas, magnetizava água, pratos, cama, etc., cujo contato submetia os enfermos.
Mesmer praticou durante anos o seu método de tratamento em Viena e em Paris, com evidente êxito, mas acabou expulso de ambas as cidades pela inveja e incompreensão de muitos. Depois de cinco tentativas para conseguir exame judicioso do seu método de curar, pelas academias, é que publica, em 1779, a “Dissertação sobre a descoberta do magnetismo animal“, na qual afirma que este é uma ciência com princípios e regras, embora ainda pouco conhecida. A sua popularidade prosseguiu por muitos anos, mas outros médicos o taxavam de impostor e charlatão. Em 1784, o governo francês nomeou uma comissão de médicos e cientistas para investigar suas atividades. Benjamin Franklin foi um dos membros dessa comissão, que acabou por constatar a veracidade das curas, porém as atribuíram não ao magnetismo animal, mas a outras causas fisiológicas desconhecidas.
Concentrado no alívio à dor, Mesmer não chegou a perceber a existência do sonambulismo artificial, que seu ilustre e generoso discípulo, conde Maxime Puységur, descobre (inclusive a clarividência a ele associada), o qual se desenvolve durante o transe magnético em certas pessoas.
Em 1792, Mesmer vê-se forçado a retirar-se de Paris, vilipendiado, e instala-se em pequena cidade suíça, onde vive durante 20 anos sempre servindo aos necessitados e sem nunca desanimar nem se queixar. Em 1812, já aos 78 anos, a Academia de Ciências de Berlim convida-o para prestar esclarecimentos, pois pretendia investigar a fundo o magnetismo. Era tarde; ele recusa o convite. A Academia encarrega o Prof. Wolfart de entrevistá-lo. O depoimento desse professor é um dos mais belos a respeito do caridoso médico:
Encontrei-o dedicando-se ao hospital por ele mesmo escolhido. Acrescente-se a isso um tesouro de conhecimentos reais em todos os ramos da Ciência, tais como dificilmente acumula um sábio, uma bondade imensa de coração que se revela em todo o seu ser, em suas palavras e ações, e uma força maravilhosa de sugestão sobre os enfermos.”
No início de 1814, ele regressou para Iznang, sua terra natal, onde permaneceria os seus últimos dias até falecer em 05/03/1815.”

    This entry was posted in Textos and tagged , , , , . Bookmark the permalink. 9.180 visualizações.

    6 Responses to Mesmer, magnetismo e Kardec

    1. José Augusto says:

      Porque a prática do Magnetismo, como terapia de cura, é tão combatido e discriminado na maioria das Casas Espíritas? Eu mesmo, tenho muita dificuldade em atender pacientes necessitados, visto as dificuldades impostas pela Diretoria e grande parte de Trabalhadores, que , ou por ignorância ou por preconceito, coma
      batem tal prática? Agora mesmo, estou com um caso de 02 crianças, sem diagnóstico médico definido, apresentando recuperação surpreendente, na capacidade visual e locomoção e mesmo assim, tal prática encontra resistência. Acredito que por falta de estudo e conhecimento das obras da codificação.

      • Janio says:

        Prezado José Augusto,
        É natural uma acomodação quando o que se faz há muito tempo vem dando certo.
        Vc traz uma proposta nova para os padrões das casas espíritas atuais.
        Há muita falta de estudo e esquecimento da postura científica e experimentalista de Kardec.
        Se vc vem obtendo bons resultados (que os métodos adotados pela casa não alcançam), só resta convidá-los a estudar. Eis alguns livros e palestras do espírita, engenheiro e praticante do Magnetismo JACOB MELO. http://www.gepazebem.org/assistam-esta-palestra.hhttp://www.gepazebem.org/para-ler-reler-rever-rephttp://www.gepazebem.org/estudar-mais-sobre-o-pashttp://www.gepazebem.org/magnetismo-movimento-vid
        Persista no Bem que está fazendo e exercite a paciência e a humildade sem abrir mão da convicção, com serenidade!!
        Abs.

      • Kely Moraes says:

        Estamos numa época de radicalismo do espiritismo. Já foi-se a época do espiritismo simples e humilde. Hoje nada pode porque vira ritual, dogma. Dogma são os preconceitos existentes dentro do radicalismo metódico. Precisamos lembrar de Chico com sua simplicidade e humildade, precisamos lembrar de Kardec com suas pesquisas e estudos, precisamos lembrar de Mesmer com suas curas, precisamos lembrar de que somos filhos de Deus, e como tal não precisamos da parte religiosa que alguns adotaram para o espiritismo que nasceu como ciência e filosofia, e chagando aqui no Brasil tomou o cunho religioso, e como tal preconceituoso. É uma pena que a doutrina que abracei esteja tão distorcido pelo movimento espirita, este sim formado por nós espiritas. Devemos ter coragem para mudar estas posições radicai de que nada pode. O que não pode é ser manso dentro da casa espírita (as nem isso o são), e fora continuar a mesma pessoas. Devemos lembrar que somos todos iguais, com nossas limitações e possibilidades, por isso devemos acolher a todos, como pudemos e sabemos, mas com amor….Muita paz!

        • Janio says:

          Gracias, Kelly, por vc expressar sua opinião.
          O movimento espírita é feito por cada um de nós. Se mudarmos a forma de ver e fazer, estaremos dando nossa contribuição e nosso testemunho para o que faz sentido dentro do aprendemos com a metodologia proposta pelo Mestre Allan Kardec.
          Paz e Bem!

    2. Eugênia says:

      Janio,
      Grata ao Hugo. Grata a você.
      Excelente texto.
      Não sabia que Mesmer era das imediações do Lago de Constança!!!

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de email não será publicado

    Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

    Postagens relacionadas