MÚSICA QUE TOCA A ALMA

Músico profissional desde o início dos anos 1980, quando foi membro-fundador da banda de rock Eurythmics, o flautista britânico Tim Wheater começou uma viagem, uma peregrinação para explorar as origens da expressão musical do homem. Através dessa busca pessoal, ele descobriu uma rica tradição e a antiguidade da música que serve um papel fundamental na cura da mente e do corpo.

Em 1988, sofreu uma doença debilitante, como resultado de um incidente de intoxicação por água contaminada por sulfato de alumínio em Cornwall, condado da Inglaterra. Isso o levou a uma paralisia severa nos lábios e nos dedos, tornando impossível tocar sua flauta. Mesmo diante dessa situação dolorosa ele continuou na sua busca de conhecimento.

Viajando pelo mundo – da Índia mística ao estudo com os índios norte-americanos e os aborígines da Austrália – para manter contato com profunda sabedoria interior da alma, Wheater foi aumentando gradualmente sua compreensão de como o som e a música podem tocar em uma energia de cura profunda. No processo de cultivar a sua própria voz como um instrumento, ele curou-se gradualmente e recuperou a sensibilidade nos lábios e mãos.

Logo, Wheater tornou-se palestrante dando voz ao conceito de cura do som. Como sua capacidade de tocar a flauta voltou, suas composições ganharam novo significado como ele expressa as idéias profundas adquiridas com a sua peregrinação.

Em 2008, gravou o disco Invisible Journeys, com a cantora Natalie Shaw e o tecladista David Lord. Nele, há uma das músicas mais belas que já ouvi nos últimos tempos e que me tocou profundamente o coração, mesmo que não entendesse o que estava sendo dito porque cantada em sânscrito. É uma das melodias que costumo solar ao violão, durante as preces, no início ou no final de nossas reuniões e que foi criada pelo trio liderado por Weather. A letra é da oração mais antiga do mundo, chamada Gayatri Mantra. Abaixo, compartilho seu video, acompanhando imagens de encantadores fractais.

Posso escutar esta música repetidas vezes, por horas seguidas, sem me cansar ou dela me enjoar. Cada vez que ouço é como se fosse a primeira vez. É-me indizível a sensação confortável que essa música causa.

Matéria postada por Jânio Alcântara em 09/05/2011